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segunda-feira, 29 de julho de 2019

Resenha: Os Quase Completos - Felippe Barbosa - Editora Arqueiro





Os Quase Completos
Autor(a): Felippe Barbosa
Editora: Arqueiro
Categoria: Drama/Aventura
ISBN: 978-85-8041-813-2
 384 Páginas
1º Edição – 2018

Sinopse

O Quase Doutor é um renomado cardiologista que passa os dias em um hospital, mas no fundo é um artista frustrado. A Quase Viúva é uma professora que está de licença do trabalho para ficar com o noivo, em coma após um grave acidente. O Quase Repórter é um jornalista decepcionado com a profissão que sofre há mais de um ano pelo suicídio da esposa. A princípio, a única coisa que essas pessoas têm em comum é a sensação de incompletude e de desilusão com a vida.
Até que, um dia, o Quase Doutor é persuadido por um velho desconhecido a embarcar com ele em um ônibus rumo a uma jornada para se reconciliar com seu passado. Logo a viagem se transforma em uma aventura extraordinária e, em meio a fenômenos como uma chuva de estrelas cadentes, ele precisa fazer escolhas que mudarão seu destino para sempre.
Enquanto isso, eventos misteriosos levam a Quase Viúva a suspeitar que alguém dentro do hospital quer matar seu noivo e uma pesquisa minuciosa do Quase Repórter revela que sua esposa pode ter sido assassinada. Quando os dois tentam descobrir a verdade sobre seus amados, tudo leva a crer que a resposta está dentro do ônibus do Quase Doutor.
Reunidos num lugar que nunca imaginaram existir, os três serão forçados a enfrentar seus maiores medos e verão que, para se tornarem completos, precisarão encarar a batalha mais difícil de todas: aquela que travamos com nós mesmos.




Quando eu era pré-adolescente uma das músicas que eu mais gostava de escutar era “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, do U2. Ela explora a busca desesperada do ser humano pela sensação de plenitude. Ser completo é um conceito subjetivo e pessoal. Para cristãos, esse sentimento vem quando uma pessoa conhece a Deus e passa a viver sob o seus preceitos. Para alguém que anseia pela paternidade/maternidade, ele vem com a chegada da criança. Para trabalhadores ambiciosos, com a alta compensação financeira. Mas há também situações aparentemente irreversíveis que tiram do indivíduo aquilo que ele pensava ser seu tudo. E é em cima deste conceito que Felippe Barbosa desenvolve “Os Quase Completos”.

Seu enredo é sólido, com boas construções dos personagens principais e sábias escolhas de desenvolvimento, principalmente no que diz respeito aos pontos de tensão. Os aspectos surrealistas/fantasiosos da trama são bem dosados, com uma construção de universo eficiente. Os pequenos detalhes me agradaram bastante; os três incompletos são os pontos de vista dos capítulos, mas os do Quase Repórter são os únicos narrados por um narrador-observador, e o Quase Doutor é o único a não ter o nome revelado no início da trama. Todas essas escolhas possuem um porquê justificado na história. Os trechos que remetem a acontecimentos passados são pontuais e os diálogos, de uma forma geral, são simples e naturalmente coloquiais.

Os dilemas dos protagonistas são relacionáveis, o que os torna passíveis de identificação para o leitor. Eu em particular me vi na figura do Quase Doutor, porque muito de seu passado e parte das questões que o atormentam fazem parte de mim. E apesar dele dominar boa parte da narrativa não senti que houve predileção do autor, até porque esse foco é justificável dentro do contexto (estou evitando dar spoilers). O Quase Repórter possui um carisma peculiar em meio a sua amargura latente, e a Quase Viúva tem uma mistura interessante de ingenuidade com rebeldia. Os três não são unidimensionais, ou seja, não são definidos pelo mote de suas tramas (aquilo que lhes falta). Há construção completa de personalidades aqui.

O mesmo pode ser dito sobre os personagens secundários. Existem múltiplas visões sobre boa parte deles, mesmo que apenas um dos invíduos presentes no núcleo seja o guia do leitor para os acontecimentos. Mira, Carlos e Dolores são os que considero mais interessantes pelo serviço que prestam à narrativa, e aposto que o fofo Sr. Lorrac conquistará muitos amantes. O único aspecto que não gostei muito foi o uso em excesso de referências culturais para delimitar que parte da trama era ambientada em uma determinada década. Duas delas (o filme e uma das músicas) bastariam. Mas isso é uma opinião bastante particular, porque não é algo que atrapalha ou diminui as qualidades do livro.

Em suma, “Os Quase Completos” é um ótimo exemplar da nova safra de literatura nacional, ao provar que é possível criar uma trama instigante com elementos de gêneros específicos, de forma original e que não se mostra uma reprodução de tendências internacionais. A mensagem central do livro é algo que ficou comigo por muitos dias, e irá passear por sua cabeça ao longo e após da leitura: você é o responsável pela sua realidade. Às vezes, para se sentir completo, basta que a própria pessoa reconheça dentro de si o que realmente lhe fará feliz e se disponha a perseguir isso, apesar de tudo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Resenha: Crepúsculo - Stephenie Meyer - Editora Intrínseca



Crepúsculo
Autora: Sthephenie Meyer
Editora: Intrínseca
Categoria: Romance/Fantasia
ISBN: 978-85-980-7830-4
416 Páginas
1º Edição – 2008


Sinopse

Quando Isabella Swan se muda para a melancólica cidade de Forks e conhece o misterioso e atraente Edward Cullen, sua vida dá uma guinada emocionante e apavorante. Com corpo de atleta, olhos dourados, vez hipnótica e dons sobrenaturais, Edward é ao mesmo tempo irresistível e impenetrável. Até então, ele tem conseguido ocultar sua verdadeira identidade, mas Bella está decidida a descobrir seu segredo sombrio.





Nunca fui fã de histórias de amor, então é de se imaginar que minha infância e pré-adolescência foram marcadas, dentre outras coisas, por minha aversão à Crepúsculo. E isto foi ainda mais agravado pelo fato da série de livros de Stephenie Meyer vir em meio a uma era - no que diz respeito as minhas leituras - de volumes young adult que eu considerava mais interessantes, como Harry Potter, Percy Jackson e Jogos Vorazes. Porém nunca neguei que a aventura vampiresca era um marco da cultura pop do início deste século. E foi justamente isto o que me motivou a reassistir a saga no mês passado.

Cinco filmes e milhares de execuções de “Decode” no Spotify depois, resolvi tirar minha cópia de Crepúsculo que havia comprado aos 11 anos da estante, e dar uma segunda chance ao mesmo. Porém, dessa vez, tentei lê-lo sob a ótica de uma adolescente, e posso afirmar uma coisa: muita coisa fez sentido depois disso. Meyer sabia a quem queria atingir com essa história, por isso a desenvolveu de forma simples, com diálogos e narrações curtas – um pouco corridas e repetitivas para o meu gosto, mas aí me lembrei que eu havia me comprometido a ser uma garota de 14 anos ao folhear aquelas páginas e precisei relevar estes pontos.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Resenha: Escrevi isso pra você - Iain S. Thomas - Editora Sextante

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Escrevi isso pra você
Autor: Iain S. Thomas
Editora: Sextante
Categoria: Romance/Poesia
ISBN: 978-85-431-0630-4
208 Páginas
1º Edição – 2018


Sinopse

Escrevi isso pra você é uma coletânea de poemas contemporâneos sobre os diversos momentos do amor; a paixão e o encantamento dos primeiros tempos, o lento afastamento, a solidão a dois, a dor do fim e a esperança de novos começos. Reunindo cerca de 200 textos divididos em quatro partes – Sol, Lua, Estrelas e Chuva – o poeta sul-africano Iain S. Thomas combina palavras profundas e intensas com fotografias frias e impessoais. O resultado é um livro que provoca uma explosão de sentimentos perturbadores e conflitantes, mas totalmente familiares a qualquer pessoa que já tenha amado ou sofrido pelo menos uma vez.

Conhecido nas reces sociais pelo pseudônimo pleasefindthis, o autor começou sua trajetória na internet, publicando poemas e fotos em seu blog pessoal. Com o tempo, seu trabalho ganhou repercussão, se transformou em livro e encantou milhares de leitores ao redor do mundo. Com extrema delicadeza, Escrevi isso pra você expõe a natureza frágil das relações humanas e as nuances líricas e obscuras do amor.




Posso não ser o maior fã de prosas românticas, como já disse em outras resenhas, mas sou apaixonado por poesias. Para mim é uma das melhores formas de evasão de sentimentos que existe, sejam eles quais forem. Isso se dá principalmente pelo fato de que a poesia não precisa estar, necessariamente, presente em um poema estruturado; sua expressão se dá em diferentes formas. E este livro é um exemplo clássico de como isso ocorre.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Resenha: Origem - Dan Brown - Editora Arqueiro


Origem
Autor(a): Dan Brown
Editora: Arqueiro
Categoria: Suspense
ISBN: 978-85-8041-766-1
 432 Páginas
1º Edição – 2017

Sinopse

De Onde Viemos? Para Onde Vamos? Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete “mudar para sempre o papel da ciência”. O anfitrião da noite é o futurólogo bilionário Edmond Kirsch, de 40 anos, que se tornou conhecido mundialmente por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. Um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard, há 20 anos, agora ele está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento… algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana. Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar.

De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre. Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond Kirsch. Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo atormentado cujo poder de saber tudo parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo. Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch… e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo.






Posso dizer sem medo que Dan Brown é um dos meus autores preferidos. Sempre fui encantado pela sua maneira de criar suspense, assim como pelos elementos utilizados para incrementar seus enredos, como história e arquitetura, e que vieram a se tornar marca registrada do autor. Origem não foge à regra, e ainda traz um novo tema ainda não explorado pelo autor: inteligência artificial e sintética.

A introdução desta temática é um dos principais pontos positivos do livro, pois traz um frescor em relação às obras anteriores de Brown. As tecnologias citadas são fascinantes e, de um certo modo, assustadoras. Como de costume, o enredo é bem construído, cheio de viradas surpreendentes e revelações que mudam completamente o ponto de vista acerca da história. A já conhecida tática de explorar diferentes pontos de vista em seus capítulos, assim como o tamanho variado dos mesmos traz dinamismo ao livro.


quarta-feira, 6 de junho de 2018

Resenha: Um Estranho no Ninho - Ken Kesey - Editora Best Seller


Um Estranho no Ninho
Autor: Ken Kesey
Editora: Best Seller
Categoria: Drama
ISBN: 978-85-7799-042-9
 418 Páginas
1º Edição – 1962

Sinopse

Um clássico da contracultura que retrata os psicodélicos anos 60. O romance de Ken Kesey é inspirado em suas próprias experiências quando participou de pesquisas com drogas psicoativas no centro psiquiátrico do Menlo Park Veterans Hospital (Califórnia). Um estranho no ninho é protagonizado por R. P. McMurphy, um preso que escapa da condenação fingindo-se de louco. McMurphy é então internado em um hospício, sob a tutela da sádica Chefona, a enfermeira Ratched, que comanda os internos com suas rigorosas sessões de terapia e eletrochoque. Aos poucos McMurphy percebe que o hospício pode ser muito pior que a prisão, nesse novo universo cercado de pacientes inseguros, ansiosos e constantemente dopados. Pessoas que buscaram refúgio da sociedade no hospício. Um livro louco, mas muito real.




“Um Estranho No Ninho” está longe de ser uma leitura fácil. A realidade exposta por Ken Kesey pode até ser distante daquilo que conhecemos em relação a tratamentos psicoterápicos atualmente, porém ainda assim a sensação de incômodo permeia toda a leitura. A maneira como os fatos são expostos de maneira crua acentuam o processo de desumanização ao qual McMurphy e seus companheiros são submetidos na ala psiquiátrica do hospital.  Dos tratamentos de eletrochoque ao controle metódico das atividades dos pacientes, tais questões tornam a leitura ainda mais densa.

Em alguns momentos é impossível discernir realidade de alucinação, tamanho é o estado de histeria. Isto é evidenciado em trechos onde a enfermeira Ratched – um perfil interessante, no limite entre a obsessão e a psicopatia, com uma capacidade de dissimulação assustadora – e seus assistentes iniciam a emissão de uma suposta neblina, capaz de alterar a percepção dos personagem em relação àquilo que acontece ao redor dos mesmos. Outra situação envolve o período de descanso, onde suspeita-se que Ratched controla a iluminação da ala psiquiátrica para que os pacientes durmam pouco.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Review: The Handmaid's Tale - A série do momento!



Sinopse

Depois que um atentado terrorista ceifa a vida do Presidente dos Estados Unidos e de grande parte dos outros políticos eleitos, uma facção catolica toma o poder com o intuito declarado de restaurar a paz. O grupo transforma o país na República de Gilead, instaurando um regime totalitário baseado nas leis do antigo testamento, retirando os direitos das minorias e das mulheres em especial. Em meio a isso tudo, Offred é uma "handmaid", ou seja, uma mulher cujo único fim é procriar para manter os níveis demográficos da população. Na sua terceira atribuição, ela é entregue ao Comandante, um oficial de alto escalão do regime, e a relação sai dos rumos planejados pelo sistema.




Sabe quando alguém está de bobeira e acaba encontrando um artigo sobre uma série estreante que estava destruindo todas as estruturas possíveis do entretenimento? Este era eu ano passado, e a série era “The Handmaid’s Tale”. Criada por Bruce Miller com base no livro “O Conto da Aia” de Margaret Atwood, esta série – vencedora do Emmy e do Globo de Ouro de Melhor Série Dramática – tem como objetivo entreter através do questionamento, e nos assustar com uma realidade que pode não estar tão distante assim.

Uma crise de fertilidade atingiu o mundo, e uma minoria religiosa extremista nos EUA pôs a culpa na cultura e na sociedade, que estava se desviando dos “valores divinos”; com isto, dão um golpe de estado e transformam o país na República de Gilead. Nela, diversas minorias sociais ou figuras controversas são perseguidas: homossexuais, considerados traidores do gênero, são condenados à morte ou ao trabalho escravo nas colônias – local onde há grande concentração de lixo radioativo, o que se configura como uma condenação indireta à morte; pastores evangélicos e médicos que realizaram abortos sofrem o mesmo destino. Porém, a opressão às mulheres é a mais assustadora; são negados a elas direitos básicos, como posse monetária, voto, emprego e até mesmo ACESSO À LEITURA. Também, qualquer tipo de conhecimento produzido por mulheres é destruído.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Resenha: A grande Ilusão - Harlan Coben - Editora Arqueiro


Grande ilusão, A

A Grande Ilusão
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Categoria: Suspense
ISBN: 978-75-8041-723-4
 304 Páginas
1º Edição – 2017

Sinopse

Mary Stern é uma ex-piloto de operações especiais que voltou recentemente da guerra. Um dia, ela vê uma imagem impensável capturada pela câmera escondida em sua casa: a filha de 2 anos brincando com Joe, seu falecido marido, brutalmente assassinado duas semanas antes. Tentando manter a sanidade, Maya começa a investigar, mas todas as descobertas só levantam mais dúvidas.

Conforme os dias passam, ela percebe que não sabe mais em quem confiar, até que se vê diante da mais importante pergunta: é possível acreditar em tudo o que vemos com os próprios olhos, mesmo quando é algo que desejamos desesperadamente? Para encontrar a resposta, Maya precisará lidar com os segredos mais profundos e as mentiras de seu passado antes de encarar a inacreditável verdade sobre seu marido – e sobre si mesma.




Como declarei em uma das minhas primeiras resenhas neste blog, sou um fã de histórias de suspense. Por conta disto, me sinto envergonhado em dizer que esta foi a primeira obra que li escrita por Harlan Coben, um dos autores contemporâneos mais representativos do gênero. Obras como “Não Conte a Ninguém” e a série sobre o fictício jogador de basquete Myron Bolitar já me despertaram interesse, porém “A Grande Ilusão” foi o primeiro ao qual tive acesso.

A obra se inicia com Maya, a protagonista, no funeral de seu marido Joe, que foi morto durante um assalto. Este é apenas o ápice dos recentes eventos traumáticos que ocorreram na vida dela – em um curto espaço de tempo, ela foi dispensada de sua função como piloto do exército americano (por conta de uma operação que matou civis), e teve de lidar com a morte da irmã Claire, assassinada quando invadiram a casa dela. Traumatizada e ferida, Maya ainda precisa criar sua filha de dois anos, Lily.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Resenha: O Festim dos Corvos - George R. R. Martin - Editora LeYa




O Festim dos Corvos
Autor: George R.R. Martin
Editora: LeYa
Categoria: Fantasia
ISBN: 9788580443769
644 Páginas
1º Edição – 2011


Sinopse


Continuando a saga mais ambiciosa e imaginativa desde O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo prosseguem após o violento triunfo dos traidores. Enquanto os senhores do Norte lutam incessantemente uns contra os outros e os Homens de Ferro estão prestes a emergir como uma força implacável, a rainha regente Cersei tenta manter intacta a força dos leões em Porto Real. 


Os jovens lobos, sedentos por vingança, estão dispersos pela terra, cada um envolvido no perigoso jogo dos tronos. Arya abandonou Westeros rumo a Bravos, Bran desapareceu na vastidão enigmática para além da Muralha, Sansa está nas mãos do ambicioso e maquiavélico Mindinho, Jon Snow foi proclamado comandante da Muralha mas tem que enfrentar a vontade férrea do rei Stannis e, no meio de toda a intriga, começam a surgir histórias do outro lado do mar sobre dragões vivos e fogo... 



Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objetivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz? Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de tal enredo? 


A guerra está prestes a terminar, mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim?





Chegamos agora em um ponto crucial de As Crônicas de Gelo e Fogo. Após os acontecimentos do volume anterior, A Tormenta de Espadas, o jogo dos tronos passou a ficar cada vez mais restrito, perigoso e decisivo. O quarto e o quinto livros diferenciam-se dos três anteriores, por apresentarem uma divisão nos pontos de vista: o livro quatro enfoca nos personagens de Westeros (com exceção do Norte e da região além da Muralha) e em Braavos, enquanto os dois primeiros terços do livro cinco enfoca nos personagens de Essos e aqueles que estão no Norte e Além da Muralha, para por fim voltarem a caminhar juntos no último terço do livro cinco. Dito isto, analisaremos então O Festim dos Corvos.


O caos domina em Porto Real. Com as mortes do Rei Joffrey Baratheon e de Tywin Lannister, o pequeno Tommen – que nos livros possui apenas oito anos – ascende ao trono, tendo como regente a sua mãe, Cersei Lannister. Agora como personagem com ponto de vista, a loira mais odiada dos Sete Reinos torna-se um dos maiores trunfos deste livro. Martin nos apresenta a uma personalidade soberba e entorpecida pelo poder, sem capacidade de balancear a racionalidade que o jogo dos tronos exige com sua inata impetuosidade (características que a tornam bem diferente da personalidade apresentada na série). Aliado a isto, suas relações com seus aliados, em especial a casa Tyrell, assim como a ameaça iminente da Fé Militante serão os principais seladores de seu destino. Para o bem ou para o mal...



terça-feira, 11 de abril de 2017

Resenha: Razão e Sensibilidade - Jane Austen - Editora Martin Claret


Razão e Sensibilidade
Autora: Jane Austen
Editora: Martin Claret
Categoria: Romance
ISBN: 9788572328746
453 Páginas
1º Edição – 1944


Sinopse

Este foi o primeiro romance de Jane Austen. Publicado em 1811, logo recebeu reconhecimento do público. Razão e Sensibilidade é um livro em que as irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança, nos aponta para um excelente panorama da vida das mulheres de sua época. As irmãs vivem em uma sociedade rígida e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz.






Posso afirmar sem dúvidas que este é um dos meus romances preferidos. Minha história com este livro começa quando eu assisti “Orgulho e Preconceito” em uma aula de artes na 8ª série; fiquei apaixonado pelo filme e fui pesquisar mais sobre ele, e descobri que era uma adaptação de um livro de Jane Austen. Após desbravar suas obras, passei a procura-las para ler, e para minha alegria, minha professora de artes me emprestou Razão e Sensibilidade. Desde então, já o li três vezes, e minha paixão por ele permanece.

Em primeiro lugar, é preciso analisar a maneira como Austen escreve. Ela conduz a história com poucas descrições, apostando em diálogos longos, porém incrivelmente diretos e ágeis. A condução psicológica das situações chama a atenção, especialmente na apresentação dos personagens. Porém, a marca mais interessante dela é a ironia, repleta em toda a obra. Todas estas características juntas tornam o combo bastante atrativo.

terça-feira, 7 de março de 2017

Resenha: O Apanhador no Campo de Centeio - J.D. Salinger - Editora do Autor


O Apanhador no Campo de Centeio
Autor: J.D. Salinger
Editora: do Autor
Categoria: Drama Adolescente
ISBN: 9788587575012
208 Páginas
1º Edição – 1965


Sinopse

Um garoto americano de 16 anos relata com suas próprias palavras as experiências que ele atravessa durante os tempos de escola e depois, revela tudo o que se passa em sua cabeça. O que será que um adolescente pensa sobre seus pais, professores e amigos?




Olá, leitores! Hoje iremos falar sobre um dos maiores clássicos da literatura americana, que mesmo tendo sido lançado em 1951 permanece extremamente atual. Descobri esse livro aos 14 anos, de uma maneira inusitada; sou fã de The Beatles, e um dia estava lendo sobre o assassinato de John Lennon, e o artigo mencionou que o atirador carregava uma versão de bolso de O Apanhador no Campo de Centeio consigo. Dessa forma, fiquei curioso para lê-lo, mas só tive a oportunidade este ano, após ganha-lo como presente de Natal. Mas garanto que a espera valeu muito a pena.

O livro se passa em Dezembro de 1949 e conta a história de Holden Caulfield, um adolescente de 16 anos que estuda em um colégio interno no estado da Pensilvânia, nos EUA. Ele está prestes a ser expulso do colégio devido ao seu péssimo rendimento escolar; ele deve deixar o colégio em uma quarta-feira, dia em que começarão as férias de fim de ano. Entretanto, após se entediar com o local e as pessoas com quem convive lá, ele decide sair antes do prazo, ir sozinho para sua cidade natal (Nova York) e se hospedar em um hotel de lá até que a quarta-feira chegue, e então ele retornará para casa. Ao longo desses dias, Holden terá uma série de encontros com pessoas que fizeram ou fazem parte da sua vida, como sua irmã mais nova, uma antiga namorada e um professor de Inglês.

O protagonista Holden é um verdadeiro rebelde, daqueles que se encaixariam perfeitamente nas décadas de 60 e 70. Acrescido a isto, o personagem vive conflitos psicológicos causados tanto pela idade quanto pelos acontecimentos de sua vida. A maneira como estes são apresentados através da narrativa chamam a atenção pela maneira reflexiva, crua e direta, sem nenhum tipo de glamourização. J.D. Salinger foi capaz de criar uma obra atemporal, que explora de maneira complexa conceitos como identidade, vazio existencial e necessidade de conexão. Estes são sentidos em diferentes níveis, que vão desde a quase completa ausência física dos pais de Holden na narrativa ao momento em que, através de uma metáfora feita pelo protagonista, o título do livro é explicado.




Em relação aos encontros, gosto muito dos que não foram planejados, como o trecho em que Holden conversa com duas freiras em um café. Dos planejados, o melhor é, sem dúvidas, com Phoebe, a irmã mais nova do garoto. Ela é bastante esperta e é a personagem que melhor compreende os conflitos pelos quais seu irmão passa, e a única que se dispõe a tentar entende-los. Por último, destaco a presença não física de duas figuras importantes na vida do jovem rebelde: seu irmão Allie – cuja morte aos 11 anos o afetou consideravelmente; e Jane Gallagher – uma garota que ele conheceu na pré-adolescência e por quem nutre uma paixão não declarada. Ambos vivem a permear seus pensamentos, rendendo momentos emocionantes.

O Apanhador no Campo de Centeio é uma obra-prima que faz um retrato fidedigno da adolescência, através do olhar de um protagonista carismático e complexamente fascinante, e com questionamentos relevantes para diversas gerações de jovens. Encerro minha resenha com uma das melhores citações do livro, e que sintetiza meu sentimento ao escrever este texto:

A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo.” - Holden Caulfield, P. 205

Até a próxima resenha!


quinta-feira, 2 de março de 2017

Resenha: As Aventuras de Sherlock Holmes - Arthur Conan Doyle - Editora Zahar



As Aventuras de Sherlock Holmes
Autor: Arthur Conan Doyle
Editora: Zahar
Categoria: Mistério
ISBN: 978-85-378-0725-5
415 Páginas
1º Edição – 2011


Sinopse

O cenário é Baker Street, virada do século XIX para o século XX em uma Inglaterra cavalheiresca e genial, ao mesmo tempo, problemática e ambígua. Sherlock Holmes é um famoso detetive, um tanto excêntrico, que tenta solucionar mistérios; sempre acompanhado por seu fiel escudeiro Watson. O livro traz os doze primeiros contos do autor, que foram publicados entre julho de 1891 a junho de 1892 na Strand Magazine.





Elementar, meus caros leitores! Hoje falaremos do detetive mais famoso do planeta. Criado pelo britânico Arthur Conan Doyle, o personagem Sherlock Holmes apareceu pela primeira vez no livro Um Estudo em Vermelho, publicado em 1887, e desde então apareceu em diversos meios escritos e também no entretenimento, com dramatizações em rádios, os filmes protagonizados por Robert Downey Jr e a série Sherlock. Porém, a primeira vez em que o excêntrico detetive ganhou notoriedade foi através de uma série de contos publicados por Doyle na revista londrina The Strand Magazine, entre 1891 e 1927.

O livro As Aventuras de Sherlock Holmes reúne os doze primeiros contos publicados na revista, narrados sob o ponto de vista de seu companheiro de aventuras, o Dr. John Watson. Em todos, Conan Doyle mostra seu brilhantismo para a condução de tramas criminais, comprovando quão inovadoras as histórias do detetive foram para a época. Todas elas são instigantes, em maior ou menor grau, e vêm acompanhadas de ilustrações feitas por Sidney Paget – que ilustrou todos os contos de Doyle para a Strand Magazine.

É interessante a maneira como a figura de Holmes surge para os olhos do leitor; sob o ponto de vista de Watson, a linha que separa Holmes do status de mente brilhante e boêmio irresponsável é tênue, tendo como ponto de ligação a excentricidade e o prazer pelos pequenos detalhes, pois nas palavras do detetive, os “crimes banais, sem nada que os distinga, é que são os mais intrigantes” (pág. 59). A famosa dupla formada pelo detetive e o médico mostra os dois como completos opostos: enquanto Watson é cerebral e foca na realização dos problemas, Holmes se atenta aos mínimos detalhes que passam despercebidos por todos e... não precisamos mencionar mais uma vez sua excentricidade, haha!

Dos doze contos, há três que considero como sendo os melhores: A Liga dos Cabeças Vermelhas – em que um homem relata sua estranha experiência com uma organização que o contratou por conta de seu cabelo ruivo; A Banda Malhada – em que uma jovem acredita que seu padrasto está tentando assassiná-la; e As Faias Acobreadas – em que uma jovem governanta procura Holmes para saber se deve aceitar uma incomum proposta de emprego. As três possuem conduções eletrizantes e desfechos surpreendentes e, no caso da primeira história, uma dose de humor envolvendo o mistério.

Poderia destacar também os contos Escândalo da Boêmia – que possui a presença da sensacional Irene Adler, que apesar de aparecer apenas nesta obra é usada e referenciada como o interesse romântico de Holmes em outras mídias; As Cinco Sementes de Laranja – que envolve a Ku Klux Klan; O Mistério do Vale Boscombe – em que um filho é acusado de assassinar o pai; e O Carbúnculo Azul – envolvendo o roubo de uma joia escondida na papa de um ganso. As outras cinco histórias que compõem o livro são Um Caso de Identidade, O Homem da Boca Torta, O Polegar do Engenheiro, O Nobre Solteirão e O Diadema de Berilos.

Em suma, recomendo As Aventuras de Sherlock Holmes especialmente para aqueles que se apaixonaram pelo personagem em outras mídias e para os fãs de histórias de investigação. Contudo, mesmo os não adeptos de literatura criminal serão capazes de reconhecer a genialidade presente no livro, com histórias repletas de sagacidade vividas por uma das figuras mais famosas da literatura e seu eterno parceiro.  

Até a próxima resenha!



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Resenha: Maldito Coração - JT LeRoy - Editora Geração Editorial



Maldito Coração
Autora: JT LeRoy
Editora: Geração Editorial
Categoria: Drama
ISBN: 85-7509-138-7
 218 Páginas
1º Edição – 2006

Sinopse

Este livro contém os primeiros textos, que se afirma autobiográficos, do estranho autor norte-americano JT LeRoy, que se apresenta no jet set internacional como uma figura andrógina e perturbadora, amigo e parceiro de personalidades tão díspares quanto Madonna, o cineasta Gus Van Sant e alguns ícones da moda. No momento em que o mundo se surpreende com a revelação de que LeRoy pode até não existir – a pessoa que se apresenta como ele seria uma mulher – a Geração Editorial reafirma seu compromisso com o autor (seja ele quem for), considerando a qualidade de seus textos e a originalidade de sua própria biografia (tanto a real quanto a possivelmente imaginária).

Em Maldito Coração, JT LeRoy nos traz o que teria sido a sua trágica infância como prostituto infantil e drogado, conduzido pela mãe – uma prostituta juvenil – numa fantástica viagem pelas estradas dos Estados Unidos. Um texto inquietante, brutal, sinistro, que escreve a perturbadora relação entre uma mãe e seu filho adolescente. Histórias chocantes de amor abusivo e disfunção sexual, de coração partido e inocência perdida. Mais uma vez, a imaginação e o lirismo fantástico de LeRoy alteram seu passado sombrio para algo completamente estranho e mágico.




O livro reúne dez histórias sobre um garoto chamado Jeremiah. Sua mãe, Sarah, engravidou na adolescência, e teve seu filho retirado dela ao nascer. Ele foi adotado por um casal com quem viveu até os 04 anos de idade, período em que Sarah descobriu sua localização e pegou o filho para si. Para se sustentar, ela se prostitui e leva o filho consigo. Ao longo das histórias, Jeremiah é submetido a uma série de abusos físicos e psicológicos por Sarah, seus clientes e – em um dos contos – seus avós, que comandam uma seita religiosa.

Eu encontrei este livro em uma feira de livros da minha cidade. A capa me chamou a atenção de imediato, mas foi após ler a sinopse perturbadoramente poética que eu decidi compra-lo. Ao longo da leitura, fiquei mexido ao extremo com os relatos escritos nela. E foi ao ler a orelha (tenho o hábito de ler a orelha após ler o livro, pois nela tem muito spoiler) que eu tive o meu espanto maior. Após uma breve pesquisa na internet acerca da história do livro, meu fascínio por ele foi estabelecido de vez. Bom, você deve estar se perguntando o que tem de tão especial por trás deste livro. E eu te direi o que é.

 
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