sexta-feira, 16 de junho de 2017

Resenha: O Festim dos Corvos - George R. R. Martin - Editora LeYa




O Festim dos Corvos
Autor: George R.R. Martin
Editora: LeYa
Categoria: Fantasia
ISBN: 9788580443769
644 Páginas
1º Edição – 2011


Sinopse


Continuando a saga mais ambiciosa e imaginativa desde O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo prosseguem após o violento triunfo dos traidores. Enquanto os senhores do Norte lutam incessantemente uns contra os outros e os Homens de Ferro estão prestes a emergir como uma força implacável, a rainha regente Cersei tenta manter intacta a força dos leões em Porto Real. 


Os jovens lobos, sedentos por vingança, estão dispersos pela terra, cada um envolvido no perigoso jogo dos tronos. Arya abandonou Westeros rumo a Bravos, Bran desapareceu na vastidão enigmática para além da Muralha, Sansa está nas mãos do ambicioso e maquiavélico Mindinho, Jon Snow foi proclamado comandante da Muralha mas tem que enfrentar a vontade férrea do rei Stannis e, no meio de toda a intriga, começam a surgir histórias do outro lado do mar sobre dragões vivos e fogo... 



Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objetivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz? Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de tal enredo? 


A guerra está prestes a terminar, mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim?





Chegamos agora em um ponto crucial de As Crônicas de Gelo e Fogo. Após os acontecimentos do volume anterior, A Tormenta de Espadas, o jogo dos tronos passou a ficar cada vez mais restrito, perigoso e decisivo. O quarto e o quinto livros diferenciam-se dos três anteriores, por apresentarem uma divisão nos pontos de vista: o livro quatro enfoca nos personagens de Westeros (com exceção do Norte e da região além da Muralha) e em Braavos, enquanto os dois primeiros terços do livro cinco enfoca nos personagens de Essos e aqueles que estão no Norte e Além da Muralha, para por fim voltarem a caminhar juntos no último terço do livro cinco. Dito isto, analisaremos então O Festim dos Corvos.


O caos domina em Porto Real. Com as mortes do Rei Joffrey Baratheon e de Tywin Lannister, o pequeno Tommen – que nos livros possui apenas oito anos – ascende ao trono, tendo como regente a sua mãe, Cersei Lannister. Agora como personagem com ponto de vista, a loira mais odiada dos Sete Reinos torna-se um dos maiores trunfos deste livro. Martin nos apresenta a uma personalidade soberba e entorpecida pelo poder, sem capacidade de balancear a racionalidade que o jogo dos tronos exige com sua inata impetuosidade (características que a tornam bem diferente da personalidade apresentada na série). Aliado a isto, suas relações com seus aliados, em especial a casa Tyrell, assim como a ameaça iminente da Fé Militante serão os principais seladores de seu destino. Para o bem ou para o mal...




Enquanto isso, sua filha Myrcella encontra-se em Dorne, para onde foi enviada em A Fúria dos Reis com o objetivo de selar uma aliança com a casa Martell através de um casamento arranjado com Trystane, filho mais jovem de Doran Martell. Porém, a região encontra-se em estado de tensão, devido a morte de Oberyn, a Víbora Vermelha, e a decisão de Doran em manter a aliança com os Lannister, em contraponto ao desejo da população e, principalmente, da viúva de Oberyn (Ellaria Sand) e suas filhas, as serpentes de areia. Porém, umaarticuladora inesperada planeja um novo mote – Arianne Martell, herdeira de Doran, que planeja coroar Myrcella como a nova Rainha de Westeros. Um dos núcleos mais ricamente trabalhados do livro (e que foi empobrecido na adaptação para a TV) e com uma personagem-guia altamente interessante (Arianne é bela, estrategista e perigosa), estas passagens exploram com louvor uma região ainda desconhecida ao leitor da saga, mas pela qual ele com certeza se apaixonará.




Nas Ilhas de Ferro, a morte do autoproclamado rei Balon Greyjoy faz com que a situação do local fique instável. De acordo com as tradições dos homens de ferro, o novo comandante das Ilhas deve ser escolhido através de uma assembleia, a Assembleia dos Homens Livres. Os herdeiros restantes da casa – Asha, Victarion e Euron – disputam o poder possuindo objetivos claros e discrepantes. Desse ponto da história, destaco a presença dos dois primeiros personagens; a primeira não é nenhuma estranha aos leitores, mas ganha maior dimensão neste livro, enquanto o segundo fornece uma visão ampla de como um homem das Ilhas de Ferro é construído socialmente.




Três personagens não estranhos aos leitores – Brienne, Jaime e Samwell – possuem um ponto em comum neste volume: todos estão em jornadas. A primeira continua a cumprir a promessa feita a Catelyn Stark de tentar encontrar suas filhas Sansa e Arya; o segundo vai, à mando de Cersei, para as Terras Fluviais com o objetivo de conquistar Correrrio, sede da casa Tully; e por fim, o terceiro é enviado por Jon Snow em uma jornada até Cidadela, com o objetivo de estudar e se tornar um meistre – espécie de conselheiro. Todos terão de enfrentar adversidades ao longo de seus caminhos para poder atingir seus objetivos. Brienne encontrará fantasmas de seu passado em seus caminhos, Jaime reverá todas as escolhas de sua vida e Sam temerá a aventura e as grandes responsabilidades. Coincidentemente, os três personagens possuem histórias conturbadas com suas famílias e passarão por um grande crescimento pessoal ao longo de suas respectivas jornadas.



Por fim, temos duas das remanescentes da Casa Stark, Arya e Sansa. A primeira, após os trágicos acontecimentos do Casamento Vermelho, dirige-se a Braavos, mais especificamente a Casa do Preto e Branco, com o objetivo de fazer parte da liga dos Homens Sem Rosto, onde passa a ser treinada para tal, por influência de seu amigo de longa data Jaqen H'ghar. Enquanto isso, sua irmã Sansa, após se ver livre do domínio de Cersei, está agora sob tutela de uma personalidade tão perigosa quanto: Mindinho. Com a morte de sua tia Lysa, acredita-se que Sansa seja a única sobrevivente de sua família (mesmo ela estando oficialmente desaparecida). Para proteger sua identidade, Mindinho a faz assumir uma nova personalidade, Alayne Stone, a fim de deixar a herdeira Stark escondida para seus planos futuros. Separadas pelo Mar Estreito, nesse livro as irmãs mostrarão suas capacidades para se adaptarem diante das adversidades, com dois pontos de vista diferentes - Arya, treinada para combate, e Sansa, para as relações palacianas. 

























Em um apanhado geral da narrativa, O Festim dos Corvos tem como objetivo apresentar a tensão e calamidade constantes que pairam sob os Sete Reinos. A partir de agora, Martin estabelece um clima onde até alianças duradouras não são mais confiáveis; personagens que iniciaram na saga com uma determinada visão têm suas personalidades drasticamente afetadas pelos eventos que ocorreram em suas vidas e nas de suas famílias – em especial, as garotas Stark, que se veem obrigadas a amadurecer rapidamente, e Jaime, que não vê mais utilidade em continuar servindo aos propósitos de sua família e em especial à sua irmã e amante Cersei; novos personagens introduzidos – Arianne, Victarion, Areo Hotah – renovam o interesse do leitor em continuar acompanhando a história; e, por fim, a narrativa que mistura política, fantasia e relações humanas continua a nos surpreender e tirar nosso fôlego.

Até a próxima resenha!





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